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quarta-feira, 17 de abril de 2013

PENSANDO MAGRO...



Lendo o livro “Acabe com a obesidade”, de Cristina Cairo, já no primeiro capítulo tem algo muito interessante que me chamou a atenção. A autora tenta explicar que tem pensamentos de gordo e de magro. O gordo geralmente carrega todos os problemas do mundo nas suas costas, não sabe dizer “não”, engoles “sapos”, fica magoado com mais facilidade, joga a culpa nos outros e é extremamente carente. Já o magro delega responsabilidades, diz “não”, decide não se magoar e não leva tudo para o lado pessoal. 

Vou colocar um trecho do livro que complementa essa questão: “Será que você gostaria de ser magro e ter que andar com as próprias pernas, sem depender emocionalmente de ninguém, não esperar nada de ninguém, não desabafar ou ouvir desabafos com tanta frequência? E ainda, ignorar completamente chantagens emocionais dos outros sobre você, tocar sua vida sozinho, alegre, dinâmico, não se ver mais como vítima de situações e de pessoas e tomar decisões rápidas, quando se trata de uma separação, mudança de residência, de trabalho, ou quando se trata de se desapegar de certas pessoas que, só de pensar em sua partida, já lhe causa sofrimento?”.

Ou seja, não é fácil ser magro... é preciso uma certa independência emocional que talvez seja o passo mais difícil para a maioria das pessoas. Não é fácil dizer “não” e seguir o nosso coração. Não é fácil vomitar alguns sapos, quando na verdade a gente não queria nem ter engolido! Não é fácil contar só com a gente mesmo na maior parte das vezes... E não adianta fazer de conta que somos assim, pois se a nossa atitude não é sincera, mais cedo ou mais tarde o corpo grita e joga para o mundo essa incoerência.

Cristina Cairo dá vários exemplos de pensamentos de magro e um deles é esse: “Não caio em chantagem emocional, pois faço o que quero e ameaças não me metem medo”. Quantos de nós temos essa segurança em sermos assim? Poucos, não é mesmo? 

Ela explica mais profundamente o mecanismo de uma pessoa obesa: “O que quero dizer é que, enquanto você olhar para a vida e a família com os medos e as inseguranças de sua criança interior, estará sempre vulnerável a pessoas, paixões, perdas, dependências e obviamente magoado consigo mesmo, por negar frequentemente a si mesmo em prol de alguém. Ajudar as pessoas também significa soltá-las para deixá-las viver suas próprias lições, portanto, se você arruma todo o tipo de desculpas para não soltar aquela pessoa, lembre-se que você é o carente da história e seus medos o fazem segurar problemas que poderiam estar sendo resolvidos, se você se sentisse mais protegido e seguro, dentro de seu próprio coração. Se você fosse magro, entenderia, com alegria, que desapegar-se é bom e que estar só não significa solidão”.

Liberte-se dos apegos, dos excessos, dos problemas dos outros, dos sapos entalados, das mágoas, dos ressentimentos, da dependência e da carência. Ame-se em primeiro lugar e dê lugar na sua vida somente a coisas boas e positivas! Se dê a chance de ser feliz e seguir o seu próprio coração.
Daniela Binato

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A LINGUAGEM DOS SINTOMAS: OBESIDADE



O texto abaixo foi retirado do livro "O que a doença quer dizer", de Kurt Tepperwein, Editora Ground. Vale a pena ler... 


OBESIDADE

A inter-relação entre corpo e alma manifesta-se de forma nítida nos hábitos alimentares. Já para o lactente, a alimentação não é só a satisfação de uma necessidade básica, mas também, além disso, a oportunidade de obter cuidados e amor. Esta relação mantém-se durante toda a vida de uma maneira mais ou menos forte. Se mais tarde nos falta segurança e temos a sensação de não ser suficientemente amados, um instinto original empurra-nos para comer mais, para assim voltarmos a recuperar a segurança anterior.

Naturalmente, a necessidade de amor não pode ser satisfeita desta maneira. Podemos comer muito sem ficarmos satisfeitos. O vazio interior continua a existir. Também o aborrecimento e uma vida insatisfatória desencadeiam um mecanismo semelhante. Na realidade, temos necessidade de afeto, de reconhecimento, de segurança. Por alguma razão se diz em linguagem popular: “O amor passa pelo estômago”. Se quando crianças nos portávamos particularmente bem ou vivíamos algum fato desagradável, a nossa mãe recompensava-nos com alguma guloseima, e assim, mais tarde, recompensamo-nos se a vida não o fizer. Isso origina a “gordura de aflição”, que constitui uma nova frustração e o aumento de preocupações que se procura esquecer através de mais comida.

Também o desejo de carinho e companhia se manifesta fisicamente como “fome”, ao satisfazê-la, engordamos e, portanto, aumentamos a nossa superfície de contato, a pele. Teoricamente, desse modo também aumenta a possibilidade de relação, de “contato” com outras pessoas. Além disso, a obesidade resultante garantiria que é quase impossível ignorar uma figura tão rotunda.

Portanto, por trás dos desejos exagerados de comer há uma debilidade do eu que deve ser compensada por afeto a partir do exterior, o que, como é óbvio, não traz qualquer solução. Mas essa debilidade do eu causa de novo falta de êxito ou receios que são compensados tornando a ingerir alimentos. Os medos e frustrações são suportados preenchendo o vazio interior com comida. Mas o que se procura na realidade é contato, segurança, carinho, êxito, reconhecimento e amor.

Assim, o obeso arrasta dificuldades que lhe tornam a vida pesada, e lhe dão, sobretudo, uma imagem errada de si mesmo. Na sua intimidade sabe que, no fundo do seu ser, não é assim. Rejeita a sua maneira de ser. Por isso, a energia vital não pode fluir livremente e os problemas sem resolução acompanham-no como um peso estranho e externo, tornando a sua vida duplamente pesada. Portanto, tem de aprender a suprimir a sua fachada, a eliminar bloqueios, a deixar de interpretar papéis e a retirar o muro da sua defesa. Isso porque a sua vida só é pesada porque ele mesmo o determina com seu comportamento amuralhado.

Se levo a vida com exagerada seriedade, significa também que a vida é dura comigo. Coloco constantemente obstáculos a mim mesmo, ao meu verdadeiro eu. A minha vida é monótona, aborrecida, porque eu a impeço de fluir livremente e de enriquecer plenamente cada momento.

O obeso não só se rejeita a si próprio como na maioria dos casos também rejeita tudo o que o rodeia. O que o incomoda à sua volta incomoda-o, na realidade, em si mesmo. Deveria deixar de querer ser como os outros querem, sendo cabalmente ele mesmo. Se na realidade é ele mesmo, não tem necessidade de ser o centro de atenções, e nem tudo gira em torno do eu limitado “eu”, porque ele vive no centro do seu ser, descansando em si mesmo, no seu próprio centro, é o motivo da sua vida e pode encarar os outros com todo respeito, tal como são.

O que é preciso fazer?
É preciso abandonar todos os esquemas, deixar de viver de acordo com uma imagem ideal, aceitando-se tal como é e com alegria, sem pressões, permitindo-se deixar fluir a vida com liberdade. A solução, pois, é a autenticidade, nada de imagens ideais. Reconheça a sua singularidade. Nunca existiu uma pessoa como você e nunca haverá outra. Você é realmente singular e insubstituível.